CPI do Crime Organizado marca para a próxima quarta-feira (25) depoimento de ex-noiva de Vorcaro
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado agendou para a próxima quarta-feira (25) o depoimento da modelo e influenciadora Martha Graeff,...
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado agendou para a próxima quarta-feira (25) o depoimento da modelo e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, do Master. A convocação de Martha foi aprovada pelo colegiado na última quarta-feira (18). Quando uma pessoa é convocada, ela é obrigada a comparecer. No entanto, alguns convocados por CPIs têm obtido no Supremo Tribunal Federal (STF) decisões que tornam a presença facultativa. Martha se sentiu enganada por Vorcaro, diz defesa O pedido de convocação da modelo foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI. No requerimento, o parlamentar afirma que Martha, chamada na condição de testemunha, pode dar "contribuições para o esclarecimento de fatos investigados" pela comissão. Alessandro Vieira destaca que a influenciadora foi uma "interlocutora frequente e destinatária de relatos" feitos pelo dono do Master. "O material colhido pela Polícia Federal reúne conversas privadas entre Vorcaro e Martha, entre 2024 e 2025, nas quais o empresário relata encontros, articulações, viagens e contatos com autoridades dos Três Poderes, incluindo nomes de alto escalão da política e do Judiciário" diz o relator. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Martha não era uma ouvinte passiva. Era a destinatária escolhida por Vorcaro para relatos que não faziam parte de nenhum registro oficial, que não constavam em agendas públicas e que, por seu conteúdo, evidenciam que o investigado concebia essas interações como naturais e rotineiras dentro do seu projeto de influência institucional", acrescenta Vieira. O senador do MDB afirma no pedido que Vorcaro mencionou, nas conversas com Martha, nomes como Hugo, Ciro e Alexandre, e que essas menções podem ter relação a encontros com autoridades do Congresso e do Judiciário. O parlamentar diz ainda que a ex-noiva de Vorcaro pode ter informações sobre "A Turma", um grupo que recebia, do dono do Master, ordens diretas de atos de intimidação contra concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas. Para o relator da CPI, "A Turma" pode ser uma organização criminosa estruturada, com "divisão interna de tarefas, hierarquia definida, financiamento robusto e capacidade demonstrada de infiltração em instituições do Estado". "Essa é exatamente a espécie de fenômeno que esta CPI foi criada para investigar", conclui Vieira. Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, é modelo e influenciadora. Reprodução/Instagram/@marthagraeff Servidor do Banco Central A CPI também marcou para a próxima terça-feira (24) o depoimento do servidor do Banco Central Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (DESUP). Belline tornou alvo de investigações da Polícia Federal e do próprio Banco Central no âmbito da Operação Compliance Zero, suspeito de atuar como uma espécie de "consultor privado" para Vorcaro. Segundo as apurações, Belline teria utilizado sua influência interna para favorecer a instituição financeira em análises de processos e para contornar dificuldades regulatórias, recebendo, em troca, vantagens indevidas por meio de contratos simulados de consultoria. A conduta de Belline levou ao seu afastamento cautelar das funções públicas e à proibição de acesso às dependências e sistemas do Banco Central. Outros depoimentos Na próxima semana, a CPI também vai ouvir Pedro Taques, ex-governador do Mato Grosso. O depoimento dele também está marcado para a quarta-feira, assim como o de Martha Graeff. Taques foi chamado para falar sobre irregularidades no sistema de crédito consignado operado no Mato Grosso. Como representante de sindicatos, Taques apresentou denúncias sobre empréstimos.